quinta-feira, 1 de maio de 2014

GRANDES RELIGIÕES, SEITAS E HERESIAS - UM PANORAMA GERAL

UNIDADE 1

CAPÍTULO 2 - AS GRANDES RELIGIÕES MONOTEÍSTAS

As grandes religiões Monoteístas (Cristianismo, Judaísmo e Islamismo), são assim chamadas por prestar culto a uma só divindade. Vamos tratar cada uma individualmente.

CRISTIANISMO

  1. Surgiu baseado nos ensinamentos de Jesus, o filho de Deus (Mt 16:16; 27:43;Mc 3:11);
  2. O Deus encarnado (Mt 1:23; Jô 1:1,14) que veio ao mundo para dar à humanidade a possibilidade de salvação;
  3. Sua vida, no período que antecedeu seu ministério, foi pouco relatada, mas entre esses relatos, três fatos chamam a atenção.

  • À medida que crescia se fortalecia na graça e no Espírito (Lc 2:40);
  • Aos doze anos já maravilhava as pessoas com a sua sabedoria (L2: 47);
  •  Com 30 anos foi batizado, dando início ao seu ministério (Lc 3:21-23);

Aspectos relevantes sobre a vida de Jesus

O Jesus histórico

“Muitos chegam a afirmar a aceitação da tese de que Jesus foi um grande mestre de moral, mas não aceitam a sua reivindicação de ser Deus... ninguém tem o direito de alegar qualquer bobagem paternalista sobre Ele ser um grande mestre humano. Ele não deu ao homem esta escolha. Nem pretendeu jamais fazê-lo” (C.S. Lewis – Cristianismo Puro e Simples).


A pergunta é: “Quem dizem os homens ser o filho do homem?” (Mt 16:13). São várias as respostas: “responderam eles: uns dizem que é João, o Batista; outros Elias; outros Jeremias. Ou alguns dos profetas” (v. 14).

Com o advento do Iluminismo começou a surgir questionamentos sobre o personagem Jesus.

A primeira questão critica sobre Jesus surgiu na Alemanha com Herman Samuel Reimarus (1694-1768). Herman alegou que o Jesus dos evangelhos e o da história era pessoas diferentes; sua base era que o Jesus apresentado pelos apóstolos era apenas fruto de suas concepções teológicas, e que não refletia a realidade do carpinteiro pobre de Galiléia.

Nos anos 1970, surgiu o “Seminário de Jesus” onde surgiram algumas teorias acerca de Jesus.


  • Jesus era apenas um homem normal;
  • Não fez milagre algum;
  • Somente 2% do que está escrito sobre Jesus nos evangelhos é que é verdadeiro;
  • A morte de Cristo é mais de caráter político do que espiritual;
  • Jesus não ressuscitou, é questão de visão dos discípulos;
  • Que Jesus dos doze aos trinta anos abraçou o hinduísmo;

A busca pelo Jesus histórico

“Estes, porém, estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome”.
(Jô 20:31).

O Jesus histórico é aquele personagem reconstruído pelas informações que chegaram até nós por vários documentos históricos. Os poucos registros deixados nos evangelhos sobre Jesus são suficientes para nosso conhecimento.

Jesus e sua historicidade – Evidências históricas

Fontes Judaicas

  1. Flávio Josefo: historiador judeu que viveu no primeiro século da era cristã. Em seu livro “Antiguidades judaicas” fez algumas referências a Jesus. “Por esse tempo apareceu Jesus, um homem sábio que praticou boas obras e cujas virtudes eram reconhecidas. Muitos judeus e pessoas de outras nações se tornaram seus discípulos. Pilatos o condenou a ser crucificado e morto. Mas aqueles que se tornaram seus discípulos pregaram sua doutrina. E afirmam que Jesus lhes apareceu três dias após a sua crucificação e que está vivo. Talvez Ele fosse o Messias previsto pelos maravilhosos prognósticos dos profetas” (XVIII, 3,2). 
  2. Talmude: “A tradição judaica recolhe também noticias sobre Jesus, tanto o talmude de Jerusalém como o de babilônia, incluem-se dados que, evidentemente, contradizem a visão cristã, mas que confirmam a existência histórica de Jesus de Nazaré”.

Fontes pagãs


  1. Plínio – proconsul da Ásia Menor, ano 111 d.C. trocou correspondências com o então imperador do império Romano, cujo tema foi o comportamento dos discípulos de tal Cristo (Plínio, epístola 97);
  2. Cornélio Tácito (55-117) – historiador romano, governador da Ásia em 112 a.C. escreveu o seguinte sobre Cristo “O fundador da seita foi Crestus, executado no tempo de Tibério pelo procurador Pôncio Pilatos...”; dentre outros.

Por que há poucos relatos sobre Jesus na história secular?

Algumas razões que poderia ter levados as pessoas da época a não dar muita atenção ao cristianismo, registrando-os nos anais da história:

a. Poucos foram os registros que sobreviveram através dos séculos;
b.  Há também a pouca importância dada pelos romanos aos judeus;
c.  O Cristianismo nasceu em uma área remota, sem importância para o império;
d.   Jesus era apenas mais um judeu marginal;
e.   Os próprios judeus o consideravam um herege e impostor;

Apesar de todo o preconceito com o Cristianismo, este é o maior entre as grandes religiões do mundo com cerca de 2 bilhões de seguidores, que aguardam para buscá-los como foi prometido (Jô 14:1-3; Fl 3:20,21;Cl 3:4; 1Jo 3:2).

“O mundo jamais foi o mesmo depois Dele, até mesmo a história se dividiu em antes e depois de Cristo”.

O LIVRO SAGRADO

A Bíblia Sagrada é o livro do Cristianismo, escrita originalmente em Hebraico, Aramaico e Grego, por cerca de 40 autores inspirados pelo Espírito Santo (2 Pd 1:21). Foi produzida por um período de aproximadamente de 1500 anos, foi dividida em duas partes: o Antigo Testamento com 39 livros, no qual são narrados as revelações de Deus antes da encarnação de Jesus, e o Novo Testamento com 27 livros, que narra as revelações de Deus ao homem depois da encarnação de Jesus.


  • O próprio Jesus denominou as Escrituras Sagradas de Palavra de Deus (Mc 7:13);
  • A própria Bíblia testifica de si mesma como sendo inspirada (2 Tm 3:16);
  • Fonte de autoridade para todo cristão fiel (Is 34:16).


OS PRINCIPAIS GRUPOS CRISTÃOS

Catolicismo romano

Foi instituído como religião oficial pelo imperador Constantino em 313 d. C., o qual possuía também o título de “Pontifex Maximus”, até hoje perdura nessa igreja com o seu líder máximo que é o Papa, esse período foi chamado de romanização da igreja. A cristianização do império só foi oficializada de fato no reinado de Teodósio em 378-95 d.C.

Características da romanização do império

  • Rápida propagação do Cristianismo;
  • Conversão de Constantino;
  • O edito de tolerância – liberdade de seguir a religião que desejasse; 
  • Aumento das cópias da Bíblia Sagrada; 
  •  Instituição do domingo como dia de descanso;
  • Promoveu reformas como a abolição da escravidão, os combates nas arenas, a morte de crianças indesejáveis, a crucificação como pena capital;
  • O culto que era simples passou a ser mais complexo, mais de aparência exterior do que interior;
  • Instituiu-se o celibato;
  • Práticas pagãs ficaram notórias dentro da igreja;

Organização e Cargos da Igreja Católica Romana

  • O Papa é selecionado por um grupo de Cardeais, conhecidos como Príncipes da Igreja;
  • Só o Papa pode selecionar e nomear todos os clérigos da Igreja acima do nível de padre;
  • Todos os membros da hierarquia respondem perante o Papa e a sua corte papal, chamada Cúria;
  • Os Papas exercem direito de definir declarações definitivas de ensinamento Católico Romano em matérias de  e moral;

A Igreja tem uma estrutura hierárquica de títulos que são em ordem descendente:

  1. Papa, o bispo de Roma e também Patriarca do Ocidente. Os que o assistem e aconselham na liderança da igreja são os Cardeais;
  2. Patriarcas são os chefes de algumas Igrejas Católicas Orientais sui juris(seu próprio direito). Alguns dos grandes arcebispos Católicos latinos também são chamados Patriarcas; entre eles conta-se o Arcebispo de Lisboa e o Arcebispo de Veneza;
  3. Bispo (Arcebispo e Bispo Sufragário): são os sucessores diretos dos doze apóstolos. Recebeu o todo das ordens sacramentais;
  4. Padre (Monsenhor é um título honorário para um padre, que não dá quaisquer poderes sacramentais adicionais): inicialmente não havia Padres per se. Esta posição evoluiu a partir dos Bispos suburbanos que eram encarregados de distribuir os sacramentos, mas não tinham jurisdição completa sobre os fiéis;
  5. Diácono;

Existem ainda cargos menores: Leitor e Acólito (desde o 2° Concílio Vaticano, o cargo de subdiácono deixou de existir). As ordens religiosas têm a sua própria hierarquia e títulos.

A IGREJA ORTODOXA

A palavra “Ortodoxa” significa – “opinião certa ou fé correta”. Surgiu em 1054, decorrente de divergências com a igreja do ocidente, chefiada por Roma. Divide-se em vários ramos tendo como principais expoentes as igrejas ortodoxa Grega e Russa, respondem ao patriarca de Constantinopla.
O patriarca de Constantinopla (Istambul, Turquia) é considerado o patriarca ecumênico ou universal. Ele é a figura que mais se parece com o Papa da Igreja Católica Romana. Ao contrário do Papa, que é conhecido como VICARIUS FILIUS DEI (o vigário do Filho de Deus), o bispo de Constantinopla é conhecido como PRIMUS INTER PARES (o primeiro entre iguais). Ele tem honra especial, mas não tem nenhum poder para interferir com as outras doze igrejas ortodoxas.

Outras crenças ortodoxas que não concordam com os ensinos bíblicos são:

  • A autoridade semelhante da tradição da igreja e das Escrituras;
  • As pessoas não são encorajadas a interpretar a Bíblia independentemente das tradições;
  • A virgindade perpétua de Maria;
  • Oração pelos mortos;
  • Batismo de bebês sem qualquer referência à responsabilidade individual e fé;
  • A possibilidade de salvação depois da morte;
  • A possibilidade de perder a salvação.

A IGREJA PROTESTANTE

Conhecida como reforma protestante, teve início com Martinho Lutero, um monge católico que, revoltado com o desrespeito da igreja aos preceitos bíblicos, escreveu 95 teses. Outros nomes surgiram na reforma, entre eles, Zuinglio, Calvino, entre outros. Atualmente o protestantismo divide-se em Histórico, Pentecostal e Neo-Pentecostal.

  1. Igrejas históricas: Luterana, Presbiteriana, Batista, Anglicana, ou seja, surgiram após as reforma protestante;
  2. Igrejas pentecostais: surgiu em Chicago, Estados Unidos em 1906, enfatiza a relação com o Espírito Santo por meio da glossolalia (dom de falar em línguas estranhas);
  3. Igrejas neo-pentecostais: Mudança surgida no pentecostalismo mundial na década de 70 a partir dos princípios da Teologia da Prosperidade. Desenvolvida nos Estados Unidos, assegura que o sucesso, a felicidade e a prosperidade devem ser alcançadas nessa vida. Promovem também uma acentuação dos ritos de exorcismo e cura. Uma das principais igrejas neo-pentecostais no Brasil é a Igreja Universal do Reino de Deus.
A TEOLOGIA CRISTÃ E SEUS PRINCIPAIS ENSINAMENTOS

  • Deus – a visão cristã é essencialmente Monoteísta;
  • Um Deus Tri-únoÉ verdade que o termo Trindade não se encontra no texto hebraico nem no grego, na Bíblia; Tais designações servem como rótulos convenientes, didáticos, para conceitos ou ensinos complexos a respeito de assuntos intimamente relacionados.
  • E impossível discutir teologia como disciplina sistemática, filosófica, sem se usar esses termos técnicos. Nenhum deles se encontra na Bíblia, disso temos certeza. No entanto, todos eles formam um complexo grandioso de conceitos coerentes, organizados, que são ensinados nas Escrituras. Portanto, devemos rejeitar como irrelevante a objeção de que a palavra precisa, “Trindade”, não se encontra na Bíblia.
  • A Trindade no Antigo Testamento (Gn 1:26; Gn 22:11; Gn 31:11,13; Ex 3:2-6; Sl 33:6; Is 6:8; Is 48:16; Zc 12:8;
  • Também o Novo Testamento (1 Co 4:6; Jô 5:44; 1 Tm 1:17; 6:15; Jd 25). Se o Pai é chamado de Deus Verdadeiro (Jô 17.3) e o Filho é chamado de Deus Verdadeiro (1 Jô 5.20), e o Espírito Santo é chamado de Deus (João 14.17).
  • Jesus – é Deus (Is 9:6; Mt 1:23; Jô 1:1); Salvador (Fl 3:20; At 4:12); Redentor (Rm 3:24; Ef 1:20); Perdoador de pecados (Mt 9:2; Lc 7:48; Mc 2:7);
  • Espírito Santo – É Deus (Sl 139:7-10); Jô 17:17; 1 Tm 4:9; Rm 15:19; 2 Pd 1:21);
  • A Igreja – Gr Ekklêsia designa a reunião de todos que são chamados para fora do mundo para servirem a Cristo (Mt 16:18; Ef 5:25; Ap 19:7,9).
  • Salvação – o conceito é de libertação do pecado e da condenação através da fé em Cristo, resultando assim no perdão dos pecados e no direito de vida eterna (Rm 5:9; 1 Tss 5:9; Ef 2:1,8; Cl 2:13; At 2:38; 3:19;
  • A vida eterna – todos os homens estão destinados à vida eterna (Mt 25:46), deve ser o objetivo de todo cristão, pois é promessa de Deus (1 Jô 2:25; Rm 6:22,23; 1 Tss 4:17);

JUDAÍSMO

Teve início com o patriarca Abrão (pai elevado ou exaltado), que teve o seu nome mudado por Abraão (pai de uma multidão – Gn 17:5). Nascido em Ur dos caldeus (Gn 11:28) filho de Terá, idólatra(Js 24:2). Também é chamado de pai de todos os que crêem (GL 3:7); citado como herói da fé (Hb 11:8), e amigo de Deus (Tg 2:23).

Nasceu no ano dois mil a.C e morreu com 175 anos de idade e foi sepultado em Macpela (Gn 24:1; 25:18). Deus fez uma aliança com Abraão, através desse “pacto” surgiu o principio do judaísmo, o qual teve em Moisés seu sitematizador. Com Moisés, a religião judaica ganhou forma e foi organizada com normas, leis e regras de cerimoniais.

No período mosaico, o termo judeu e israelita tornou-se sinônimos, e o termo judaísmo, uma indicação de cultura, da história, da sociedade e principalmente da religião. Alguns estudiosos chegam a afirmar que o judaísmo passou por alguns estágios, do politeísmo, henoteísmo até chegar ao monoteísmo; um erro grave, tendo em vista a maneira como Deus se apresentou aos patriarcas desde o principio.

ALGUNS ELEMENTOS DO JUDAÍSMO NO PERÍODO PATRIARCAL
REFERÊNCIA BÍBLICA
NOS DIAS DE ABRAÃO, ISAC, JACÓ E JOSÉ
Chamado e Aliança com o homem
Gn 12:1; At 7:2; 26:24; 28:13-15.
Edificação de Altares e Invocação ao nome do Senhor
Gn 12:7, 8; 13:1-4,18; 20:17; 22:10; 24:63; 25:21; 26:25; 28:20-22; 33:20; 35:7.
Entrega do Dízimo
Gn 14:16-20; 28:22.
Sacrifícios ao Senhor
GN 15:7-10; 31:54; 46:1.
Circuncisão
Gn 17:24-27; Gn 21:4; 34:22.
Padrão de santidade a ser seguido
Gn 18:20ss
A figura do sacerdote através do patriarca
Gn 27:27-30; 28:1; 48:15,16,20-22.

Deus, o Criador de todos os povos referiu-se à nação de Israel como sendo seu povo (Ex 3:7; 3:10; 5:1; 6:7), estabelecendo com este povo um padrão de relacionamento expresso nos “Dez Mandamentos” (Ex 20:1ss).

RELACIONAMENTO HOMEM-DEUS
    1       “Não terás outros deuses alem de mim”;
    2.     “Não fará para ti imagem de escultura”;
    3.     “Não tomarás o nome do Senhor Teu Deus em vão”;
    4.     “Lembra-te do dia do sábado para santificá-lo”;
RELACIONAMENTO HOMEM-PRÓXIMO
    5.     “Honra teu pai e tua mãe”;
    6.     “Não matarás”;
    7.     “Não adulterarás”;
    8.     “Não furtarás”;
    9.     “Não dirás falso testemunho”;
    10. “Não cobiçarás”.

Panorama Geral do Judaísmo Histórico

O Judaísmo pré-exílio
Período que antecedeu o cativeiro Babilônico, caracterizado pela apostasia-restauração do povo hebreu, ou seja, quando Deus levantava um líder, juiz ou rei que promovia um avivamento, o povo se voltava para a religião e seguia seus preceitos, mas bastava morrer o líder para se apostatarem e voltar à prática do pecado. Outros fatos que marcaram esse período foram a conquista de Jerusalém por Davi; a divisão do reino em reino do norte e reino do Sul; também marcou as quedas dos mesmos, o reino do Norte em 722a.C, pelos Assírios e o reino do Sul em 586 a.C, pela Babilônia.

O judaísmo pós-exílio
Com o cativeiro passaram a valorizar a religião, reunindo-se nas sinagogas, mas sem a prática sacrifical, ocorre um avivamento com Esdras e Neemias e também ocorre a diáspora que perdura até os dias de hoje.

O Judaísmo no período interbíblico
Destaque para o helenismo que se espalhou pelo mundo, Antíoco Epifânio (175-163) fez investidas contra religião dos hebreus, chega a profanar o templo, interrompe os sacrifícios, a purificação do templo só ocorreria no ano 165 a.C.

O Judaísmo no período neo-testamentário
Surgimento de algumas seitas político-religiosas, os zelotes, os herodianos, os essênios, os fariseus e os Saduceus, dente outros. No ano 70 d.C, sob o comando do general romano Tito, o Templo é destruído. Após as catástrofes, surge um novo tipo de judaísmo, “rabínico”, também produzem a obra “Talmude” (conjunto das tradições orais).

Os principais grupos do Judaísmo

  • Judaísmo conservador – séc. 20 surgiu em reação às reformas feitas pelos rabinos, avessos as mudanças, mas aceitam algumas mudanças e, seus hábitos;
  • Judaísmo ortodoxo – a forma mais antiga do judaísmo observa rigorosamente os costumes e tradições;
  • Judaísmo reformista – também do séc. 20, surgiu na Alemanha, expandindo-se para os Estados Unidos, onde introduziram mudanças nos rituais e utilizaram o inglês nos cultos;
  • Judaísmo reconstrucionista – surge na primeira metade do séc. 20, como o rabino Mordecai Kaplan, este deu uma nova interpretação ao judaísmo, alterando dogmas, do judaísmo ortodoxo.


Livro Sagrado
A LEI
(Torá)
OS PROFETAS
(Nebhiim)
OS ESCRITOS
(Kethubhim)
Gênesis
Êxodo
Levítico
Números
Deuteronômio
Profetas Anteriores:
Josué, juízes, Samuel,
Reis.
Profetas Posteriores:
Isaías, Jeremias, Ezequiel e os Doze.
Livros Poéticos:
Salmos, Provérbios, Jó, Cinco Rolos: Cantares, Rute, Lamentações, Ester e Eclesiastes.
Livros Históricos:
Daniel, Esdras, Neemias e Crônicas.

Além do “Tanack”, há também o “Talmude”, conjunto de tradições orais que foi compilado pelos rabinos no decorrer da história. Esses escritos se dividem em duas secções: A Mishnah (lei oral) e a Guemarah (comentários sobre a Mishnah).

A Teologia Judaica e os seus Principais Ensinamentos


  • Deus – é monoteísta, este conceito é confirmado pela Shema, declaração de fé – “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Dt 6:4);
  • O Messias – não aceitaram Jesus, por isso aguardam a promessa de restauração, libertação e instauração da paz;
  • O Templo – o local central de adoração de todo o judeu, foi destruído, atualmente só resta o muro das lamentações que rodeava o templo pelos lados sul e leste. Vai chegar o dia em que aceitaram a Jesus como messias e terão salvação (Rm 11:25,26).


ISLAMISMO

Introdução

A religião muçulmana é momoteísta, ou seja, crê na existência de apenas um deus, Alá ou Allah (Deus em árabe). Islã significa “Submissão”

Vida do profeta Maomé

Muhammad era da tribo de coraich e nasceu na cidade de Meca no ano de 570 d.C. Aos 40 anos de idade, de acordo com a tradição, recebeu a visita do anjo Gabriel que lhe transmitiu a existência de um único Deus. A partir deste momento, começa sua fase de pregação da doutrina monoteísta, porém encontra grande resistência e oposição. Maomé começou a ser perseguido e teve que emigrar para a cidade de Medina no ano de 622. Este acontecimento é conhecido como Hégira e marca o início do calendário muçulmano.
Em Medina, Maomé é bem acolhido e reconhecido como líder religioso. Consegue unificar e estabelecer a paz entre as tribos árabes e implanta a religião monoteísta. Ao retornar para Meca, consegue implantar a religião muçulmana que passa a ser aceita e começa a se expandir pela península Arábica.
Reconhecido como líder religioso e profeta, faleceu no ano de 632. Porém, a religião continuou crescendo após sua morte.

Livros Sagrados e doutrinas religiosas

O Alcorão ou Corão é um livro sagrado que reúne as revelações que o profeta Maomé recebeu do anjo Gabriel. Este livro é dividido em 114 capítulos (suras). 

Entre tantos ensinamentos nele contidos, destacam-se:

  • Onipotência de Deus (Alá);
  • Importância de praticar a bondade, generosidade e justiça no relacionamento social;
  • Também registra tradições religiosas, passagens do Antigo Testamento judaico e cristão;
  • Os muçulmanos acreditam na vida após a morte e no Juízo Final, com a ressurreição de todos os mortos;
  • A outra fonte religiosa dos muçulmanos é a Suna que reúne os dizeres e feitos do profeta Maomé.

Preceitos religiosos

A Shariá – o caminho correto define as práticas de vida dos muçulmanos, com relação ao comportamento, atitudes e alimentação. De acordo com a Shariá, todo muçulmano deve seguir cinco princípios ou Pilares:

  • Aceitar Deus como único e Muhammad (Maomé) como seu profeta;
  • Dar esmola (Zakat) de no mínimo 2,5% de seus rendimentos para os necessitados;
  • Fazer a peregrinação à cidade de Meca pelo menos uma vez na vida, desde que para isso possua recursos;
  • Realização diária das orações;
  • Jejuar no mês de Ramadã com objetivo de desenvolver a paciência e a reflexão.

Locais sagrados

Para os muçulmanos, existem três locais sagrados:

  • A cidade de Meca, onde fica a pedra negra, também conhecida como Caaba;
  • A cidade de Medina, local onde Maomé construiu a primeira Mesquita (templo religioso dos muçulmanos);
  • A cidade de Jerusalém, onde o profeta subiu ao céu e foi ao paraíso para encontrar com Moisés e Jesus.

Divisões do Islamismo

SUNITAS (90% dos muçulmanos)
XIITAS (10% dos muçulmanos)
Seguidores da primeira sucessão de quatro califas.
Seguidores do primo e genro de Maomé, Ali.
Defendiam que os sucessores deveriam ser constituídos por pessoas chegadas a Maomé ou eleitas.
Defendiam que os sucessores ou Imãs (líderes) deveriam ser consangüíneos de Maomé, da linhagem de Ali.
São considerados os mais tradicionais dentro do Islã.
Interpretam o Alcorão literalmente.
São mais diplomáticos e mais tolerantes com outras culturas.
Defendem as ações extremas tais como: atentados e seqüestros dentre outros.


* WANDER, ROBSON, RELIGIÕES, SEITAS E HERESIAS, PINDAMONHANGAB
A, SÃO PAULO - IBAD - INSTITUTO DAS ASSEMBLÉIAS DE DEUS, 2013.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

RELIGIÃO, SEITA E HERESIAS

UNIDADE 1 – GRANDES RELIGIÕES, SEITAS E HERESIAS – UM PANORAMA GERAL.

Capítulo 1 – A Busca do Homem por Deus Religião

Este tema recebeu diversas definições ao longo da história, porém as três mais aceitas são as elaboradas por Cícero, Lactâncio e Agostinho. Vejamos o quadro a seguir:

PENSADOR
PALAVRA-CHAVE
DEFINIÇÃO
PENSAMENTO-CHAVE
 CÍCERO
106-46 a.C.
(FILÓSOFO E ESTADISTA ROMANO)
“RELEGERE”
“CONSIDERAR CUIDADOSAMENTE”
“FAZER UMA RELEITURA”
A RELIGIÃO LEVARIA O HOMEM A CONSIDERAR CUIDADOSAMENTE (FAZER UMA RELEITURA) AQUILO QUE PERTENCIA AO CULTO DIVINO.
LACTÂNCIO
300 d.C.
“RELIGARE”
“LIGAR, PRENDER”
A RELIGIÃO LIGARIA OS HOMENS A DEUS PELA PIEDADE. A RELIGIÃO LEVARIA O HOMEM A REATAR SEU RELACIONAMENTO COM O SEU CRIADOR.
AGOSTINHO
370-430 d.C.
(TEÓLOGO CRISTÃO)
“RE-ELIGERE”
“RE-ELEGER, TORNAR A ESCOLHER”.
O HOMEM, ATRAVÉS DA RELIGIÃO, DEMONSTRARIA QUE HAVIA FEITO A ESCOLHA DE SERVIR A DEUS.

De modo geral o termo religião significa: a tentativa do homem em escolher se ligar a Deus através de uma releitura de sua realidade.

A Necessidade da busca por Deus

A queda do homem em pecado fez com que a raça humana se separasse de DEUS, mas sua necessidade de contato com o divino fez com que o mesmo, sem perceber buscasse essa comunhão perdida no Éden. A partir de então o homem busca por respostas para as suas questões existenciais*, Quem sou? De onde vim? Porque estou aqui? E para onde vou?

*Constitui “problema existencial” tudo que ocorre em nossa vida e que nos parece difícil de aceitar, de entender, de explicar ou de resolver e que nos preocupa e pode nos causar sofrimento. Todos experimentam, vez ou outra, problemas físicos, mentais, emocionais e sociais. Estamos em processo de aprendizagem, de depuração e aprimoramento.
Os nossos problemas variam, também, de acordo com a intensidade do efeito que podem causar em nós e em nossa vida, podendo ser: passageiro, constante, muito intenso, pouco intenso.

A Religiosidade e o Sagrado

O homem é religioso por natureza e isto faz parte de sua essência, talvez seja esta a justificativa de diversidades de religiões hoje e através da história da humanidade. O mesmo precisa vislumbrar algo ou alguém em condição superior à sua, para que a religião se estabeleça. Esse sagrado* aponta para a realidade sacra (separada) de algo, que pode ser representado por animal, elementos da natureza, uma pessoa ou ser divino.
*A palavra "sagrado" provém do latim sacrum, que se referia aos deuses ou a alguma coisa em seu poder. Já o termo santo vem de sanctus, significando "que tem caráter sagrado, augusto, venerando, inviolável, respeitável, purificador".

Os Conceitos de Divindades nos Grupos Religiosos

Este conceito não é o mesmo para todas as religiões, cada grupo tem uma revelação peculiar acerca deste fenômeno. Vejamos:

CONCEITO
CRENÇA DIVINA
EXEMPLO
MONOTEÍSMO
DE QUE HÁ UM SÓ DEUS SOBERANO E QUE A ADORAÇÃO A OUTROS DEUSES SE CARACTERIZAM IDOLATRIA.
CRISTIANISMO, ISLAMISMO E JUDAÍSMO.
TEÍSMO
CRENÇA EM UM SÓ DEUS QUE É SOBERANO E SE MANIFESTA RELACIONANDO-SE DE UMA MANEIRA PESSOAL COM O HOMEM.
CRISTIANISMO.
POLITEÍSMO
CRENÇA EM VÁRIOS DEUSES.
HINDUÍSMO – CHEGA A MAIS DE 30 MILHÕES DE DEUSES.
HENOTEÍSMO
EM UM DEUS SUPREMO E EM DIVINDADES MENORES, AS QUAIS PODEM ATUAR EM OUTROS CAMPOS OU ÁREAS.
PANTEÃO GREGO – ZEUS, O DEUS SUPREMO E OUTROS DEUSES INFERIORES.
PANTEÍSMO
CRENÇA DE QUE TUDO É DEUS (TERMO PROVENIENTE DO GREGO: “PAN” –TUDO; “THEOS” – DEUS). SEGUNDO ESSA CRENÇA DEUS SE CONFUNDE COM A CRIAÇÃO.
HINDUÍSMO, BUDISMO (ALGUMAS ESCOLAS), NOVA ERA, CIENCIA CRISTÃ, CIENTOLOGIA, SEICHO-NO-IÊ.
DEÍSMO
CRENÇA EM UM DEUS QUE FEZ O MUNDO, MAS QUE NÃO INTERFER NELE. ESSE DEUS DEIXOU LEIS NATURAIS PARA QUE O MUNDO E A CRIAÇÃO SUBSISTISSEM ATRAVÉS DOS TEMPOS.
RACIONALISMO E ALGUMAS VERTENTES DA TEOLOGIA LIBERAL.

Os tipos de Religião

v Animistas – acreditam que tudo que existe como matéria – animada ou inanimada – tem um espírito, e pode ser adorado. Esses espíritos seriam bons ou maus e podem influenciar positiva ou negativamente a vida dos seres humanos. A isso se dá  o nome de ânima – principio vital e pessoal, possui três regras: a)Tudo no Cosmo tem ânima; b)Todo o ânima é transferível; c)Tudo ou todo que transfere ânima não perde a totalidade de seu ânima, mas quem ou que o recebe perde parte ou a totalidade de seu ânima, o qual será tomado pelo ânima doador. Ex: Tribos Indigenas.

v Legalistas – a salvação só pode ser alcançada pela obediência a um código de leis (que procedem direto da divindade), essas leis governam a vida de seus adeptos em todos os aspectos. Exemplo: os Fariseus, esforço e mérito – exclui a Graça.

v Ritualistas – centralizados em rituais e cerimônias para agradar a “divindade”, ou aplacar a sua ira. Esses ritos simbolizam crenças importantes. Se aplicam demais com os rituais esquecendo dos seus verdadeiros significados. Ex: Candomblé.

v Sacramentalistas – estão convictos de que os sacramentos (rito ou cerimonial sagrado) são veículos da graça divina para aqueles que o praticam. Segundo os integrantes dessa religião, somente eles através dessa pratica podem usufruir das bênçãos divinas. Ex: Catolicismo Romano. Batismo, confissão, eucaristia, confirmação (ou crisma), matrimônio, ordens sagradas, unção dos enfermos.

v Naturais – alegam que a divindade se manifestou através da natureza e da intelectualidade do homem. Não dependem de alguma revelação sobrenatural da parte da divindade, pois não crêem num deus pessoal que se relaciona com suas criaturas.

v Racionais – acreditam que a razão é o centro de tudo, só crêem naquilo que possa explicar racional e logicamente. Apregoam uma mente bem condicionada e disciplinada para o êxito e valorizam a filosofia como forma de expressão de seus pensamentos e divulgação de suas ideias e preceitos.

v Revelatórias – têm sua base nas revelações que são proferidas pela sua divindade, as quais muitas vezes são registradas em um livro considerado sagrado.

v Místicas – supervalorizam as experiências transcendentais do homem com a divindade, podendo relegar a segundo plano sua tradição e seu livro sagrado. Também estão sempre abertos às novas “revelações ou experiências”.

v Sacrificiais – sua crença se baseia nas oferendas a divindade, buscando com isso alegrar-se, aplacar a ira ou saciar algum desejo divino.

v Espúrias – estes diferentes dos demais não se dedicam a nenhuma divindade, e sim a uma ideologia. Para os seus adeptos teorias como as de Darwin são verdades absolutas, colocam a ciência como deus.

As Características Comuns entre as Religiões

v Doutrina – é o conjunto de ensinos baseados num livro sagrado ou na tradição – tem por objetivo nortear a conduta ética, moral e social dos fiéis.

v Ritos (Cerimoniais) – é o comportamento dos adeptos de religiões de acordo com regras previamente determinadas, com o objetivo de agradar ao divino ou aplacar-lhe a ira. Esses ritos incluem orações, rezas, oferendas e sacrifícios, dentre outras ações, formando uma liturgia ritualística.
  
v Ética – noção do certo ou do errado dentro da cosmovisão de cada religião.

v Comunidade – é a união entre os adeptos de cada religião, onde compartilham suas particularidades, também se identificam uns com os outros, confirmam e fortalecem sua crença religiosa com a propagação dos seus ensinos e práticas.

v O Humano e o Divino – todas as religiões surgem e se movimentam em torno da necessidade de relacionamento do homem com o divino.


Wander, Robson. Religiões, Seitas e Heresias. Pindamonhangaba/SP, IBAD - Instituto Bíblico das Assembléias de Deus, 3° Edição, 2013.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

COMO IDENTIFICAR UMA SEITA

A palavra seita vem da mesma palavra grega que a palavra heresia. Essa palavra háiresis, que em grego significa escolha, tomar partido, corrente de pensamento, escola, etc. Quando a palavra háiresis passou para o latim, transformou-se em "secta", cujo significado é "seguidor". 

O termo é utilizado para designar um grupo numeroso de uma determinada corrente religiosa, filosófica ou política que se destaca da doutrina principal. Sectário é um termo que designa o indivíduo que faz parte de uma seita. Uma seita pode também ser considerada uma "divisão", "partido" ou "facção".

Nos dias de Jesus havia vários grupos religiosos: Os Saduceus (At. 5:17); e os Fariseus (At. 15:5); os dois grupos tinham posições religiosas distintas (At. 23:8). Jesus os chamou de hipócritas, filhos do inferno, serpentes, raças de víboras (Mat. 23:13-15,33). O Mestre deixou claro que nem todos os caminhos levavam a Deus, há apenas dois caminhos (Mt. 7:13,14): o estreito (vida) e o espaçoso(morte).

Os apóstolos não permitiram que as heresias e os falsos ensinos entrassem no seio da igreja; em Antioquia havia pessoas preparadas no estudo das Escrituras (At. 13.1). Em Atos 15: 1-35, temos a narrativa que demonstra a importância de considerarmos os ensinos que contrariam a fé cristã.

PLURALIDADE RELIGIOSA

Existem milhares de seitas e religiões falsas, as quais pensam estar fazendo a vontade de Deus, quando na verdade não estão.  Há dez grandes religiões principais:

  1.  Hinduísmo;     
  2. Jainismo;    
  3. Budismo;    
  4. Siquismo (Índia);     
  5. Confucionismo (China);     
  6. Taoísmo (China);    
  7. Xintoísmo (Japão);   
  8.  Judaísmo (Israel);   
  9.  Zoroastrismo (na Pérsia, atual Irã);                        
  10. Islamismo (Arábia).


Além disso, existem mais de dez mil seitas (algumas são subdivisões dessas religiões), seis mil estão localizadas na África, mil e duzentos nos Estados Unidos e o restante em outros países. Segundo o ICP – Instituto Cristãos de Pesquisas – as seitas estão classificadas em:

  • Secretas: Maçonaria, Teosofia, Rosa-Crucionismo, Esoterismo, etc.;
  • Pseudocrístãos: Mormonismo, Testemunhas de Jeová, Adventismo do Sétimo Dia, etc.; Espíritas: Kardecismo, Legião da Boa Vontade, Racionalismo Cristão; 
  • Afro-Brasileiras: Umbanda, Quimbanda, Candomblé, etc.;
  • Orientais: Seicho-No-Iê; Messiânica Mundial, Hare-Krishna;
  • Unicistas: Voz da Verdade, Igreja Local, Tabernáculo da Fé;

POR QUE ESTUDAR AS FALSAS DOUTRINAS?

1° Defesa Própria;
2° Proteção do Rebanho;
3° Evangelização;
4° Missões;

A Bíblia é o padrão correto para de julgamento das seitas e heresias, e segundo o próprio Mestre, nem todo juízo é incorreto (Lc 7:43). Paulo admitiu que seus escritos fossem julgados (1 Co 10:15); Disse mais “O que é espiritual julga bem todas as coisas” ( 1 Co 2:15).

A CARACTERIZAÇÃO DA SEITA

O método mais eficiente para se detectar uma seita é conhecer os quatro caminhos seguidos por elas; são eles: o da Adição, subtração, multiplicação e divisão.

  1. Adição: quando o grupo adiciona algo à Bíblia, ou seja, não é a sua única fonte de consulta. Ex: Adventismo e Testemunhas de Jeová.
  2. Subtração: quando o grupo subtrai algo da vida de Jesus, o vê como mais um fundador de religião.
  3. Multiplicação: prega à auto-Salvação, Jesus é importante, mas não é único. Salvação pelas obras.
  4. Divisão: a fidelidade do membro não se deve só a Deus, também a organização, não existe salvação fora do seu sistema religioso. também podemos adicionar uma peculiaridade destas seitas, o que é: Falsas profecias: Seus líderes aprisionam seus adeptos com anúncios proféticos como fim do mundo e tantas outras profecias, falsas é claro.


Bíblia Apologética. Corrigida e Revisada. São Paulo - ICP - Instituto Cristão de Pesquisas, 2000. Páginas 1441-1448.



sexta-feira, 26 de julho de 2013

MISSÕES - UM GRITO POR LIBERDADE!

MISSÃO TRANSCULTURAL – PORQUE FAZER MISSÕES TRANSCULTURAIS?

A Bíblia ordena Mt 28:19,20; At 1:8;
A mensagem do evangelho é universal At 2:1-21; Fil 2:10,11;
É missão da igreja At 15:6-12;

MISSIOLOGIA: 

Etimologia:

Logia = estudo

Missio = vem do substantivo “missione”. O qual, por sua vez, vem do verbo “mittere” que significa ENVIAR.

O quê significa exatamente o verbo ENVIAR? 

Enviar é: “1. Expedir, remeter; 2. Encaminhar, conduzir; 3. Mandar (alguém) numa missão” Mt 9:35-38; Mc 16:15. (M.D.Aurélio).

APÓSTOLO = MISSIONÁRIO = ENVIADO
(Grego) (Latim) (Português)

Definição: Missiologia é o estudo das missões; esta se aplica ao estudo de missões nos seus mais variados aspectos, a saber: Cultura, Geografia, Pesquisas, Estratégias, Análise, Antropologia, Definições, Etc.

Diferença entre Missiólogo e Missionário:

a) Missiólogo: Aquele que copila, organiza, analisa, interpreta a realidade dos movimentos de evangelização e cria estratégias e métodos para que o mundo seja alcançado pelo Evangelho. O maior missiólogo é o Espírito Santo.

b) Missionário: Aquele que é enviado para plantar igrejas onde ainda não há testemunhas, com todas as suas funções: pregação, ensino, assistência social, e adoração; e para tal, ele irá atravessar barreiras lingüísticas, culturais e/ou geográficas. Paulo mostrou que não é só pregar, é ensinar os gentios à obediência Rm 15:18.

O QUE SÃO MISSÕES TRANSCULTURAIS?

  • O prefixo “trans” deriva do Latim e significa “movimento para além de”; sendo assim, em linhas gerais, missões transculturais é transpor uma cultura para levar a mensagem universal do Evangelho.
“Não é o Evangelho que se curva à cultura, mas, esta se curva ao Evangelho. Isto é fazer missões transculturais...”.

O que é Cultura?

Segundo a definição do dicionário Aurélio: “o complexo de comportamento, das crenças, das instituições e doutros valores espirituais e materiais transmitidos coletivamente e característicos de uma sociedade”.

Para um antropólogo, cultura: “é o conjunto de comportamentos e idéias característicos de um povo, que se transmite de uma geração a outra e que resulta da socialização e aculturação verificadas no decorrer de sua história”. Assim sendo, cultura “é o modo de agir”, e o termo sociedade designa o “grupo de indivíduos que compartilham de um mesmo modo de agir”.

Base Bíblica da Cultura

“Uma vez que o homem é criatura de Deus, parte da sua cultura é rica em beleza e bondade. Pelo fato de o homem ter caído, toda a sua cultura (usos e costumes) está manchada pelo pecado e parte dela é de inspiração demoníaca” (Pacto de Lausanne, §10).

Transculturação:

“é o processo de transformação cultural caracterizado pela influência de elementos de outra cultura, com a perda ou alteração dos já existentes” (M. Dicionário Aurélio).

O missionário transcultural deve tomar muito cuidado para não exercer este papel (alterar ou mudar os valores de uma cultura), pois, o seu compromisso é com os Princípios Bíblicos (Marcos 16:15-20; Mateus 28:19,20). Estes, sim, podem exercer influência e até mesmo alterar situações contrárias à fé cristã. Comparar a promiscuidade dos homens em Rm 1:18-32, e comparando com o conselho do apóstolo em Rm 12:1,2.

Etnocentrismo:

 “é uma tendência a ver a nossa própria cultura como maneira universal de comportamento”.

Não devemos guardar o evangelho para nós mesmos, o missionário não pode se deixar levar por esta atitude, achando que a nossa maneira de fazer as coisas é “superior” e “correta”. Quando isto acontece com um missionário no seu campo de trabalho, é reflexo de que ele não teve uma boa aculturação. Ex: O profeta Jonas (exemplo secular o Nazismo). Barnabé foi contra o etnocentrismo em Atos 15:19,20.

Aculturação:

“é o missionário intercultural passar a assimilar a cultura do povo onde “missiona”; Ele deve se esforçar ao máximo em aprender o idioma local e comunicar, na língua desse povo, a mensagem do Evangelho; Ex: Hudson Taylor, pioneiro na China (1832-1905)”.

Estratégia de Aculturação – A Cosmovisão.

“é o conjunto de princípios, símbolos e valores que um povo tem como verdades para a sua realidade”.

“A COSMOVISÃO: É O CORAÇÃO DE UMA CULTURA”!

Princípios de Aculturação:

a) Seguir as Normas de Conduta da Cultura Hóspede; quanto mais tempo puder passar com o povo adotado, melhor.

b) Contribuir para que o Evangelho Transforme a Cosmovisão do Povo: devendo evitar a pratica do Sincretismo pelos povos missionados.

c) Traçar o perfil dos Valores básicos da Cultura Hospedeira.

d) Julgar a Própria Conduta Social, Moral e Religiosa Segundo as Normas da Cultura Hospedeira (Não sentir-se superior).

Choque Cultural:

“é um sentimento de confusão e desorientação que a pessoa enfrenta quando se muda para outra cultura”. Se o missionário aplicar os princípios e a estratégia de aculturação apresentadas no ponto anterior, ele conseguirá superar bem o choque cultural.

Sintomas do Choque Cultural:

  1. Desorientação – principalmente se ela não entende a língua local;
  2. Isolamento – dada a dificuldade de comunicação;
  3. Comparação das Culturas;
  4. Menosprezo pelas Normas Culturais;
  5. Sensação de Estar Preso;
  6. Sentimento de Hostilidade;
  7. Sensação de Auto desprezo;
  8. Sensação de Fracasso e perda da visão Espiritual; 
O Missionário Transcultural e o Seu Preparo:

O missionário transcultural precisa receber um treinamento específico antes de sair para o campo. O mínimo que seja nas seguintes áreas: Ex: Jocum e Kairós.

A. Preparo Lingüístico
B. Preparo Teológico
C. Preparo Transcultural

ANTROPOLOGIA MISSIONÁRIA

Definindo Antropologia: “Antropologia é o estudo do ser humano”.

Divide – se em duas grandes áreas: Antropologia Física e Antropologia Cultural.

Antropologia Cultural:

É o seguimento da Antropologia que estuda as culturas pré – históricas, a etnologia, o folclore, a organização social, a cultura e a personalidade, a aculturação e a aplicação da Antropologia aos problemas humanos. Na análise dos modelos padrões de vida e do comportamento humano nas diversas culturas, o antropólogo deve procurar respostas para três perguntas principais:

1º) Quais as funções dos vários aspectos duma cultura, isto é, comida, abrigo, transporte, organização da família, crenças religiosas, línguas, valores, etc.?

2º) O que faz um membro de uma sociedade agir como age? Em outras palavras, por que todos não agem da mesma maneira? Quais são as normas que determinam a conduta dos membros de uma sociedade?

3º) Quais os fatores que determinam a conservação de certos aspectos culturais e a substituição de outros com o decorrer do tempo? Ex: O pão de forno.

O que a Antropologia nos Ensina?

Podemos resumir algumas dessas contribuições básicas da seguinte maneira:

a) O comportamento humano não é ilógico ou efetuado ao acaso, mas segue modelos culturais definidos;

b) As partes que formam o padrão de comportamento de uma cultura são interligadas; e.

c) A maneira como os diferentes povos seguem e pensam pode tomar formas bastante variadas de cultura para cultura. “Pede – me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da Terra por tua possessão” (Sl 2:8).

É BOM SABER

  • A cultura não é simplesmente um aglomerado de traços e características, nem tão pouco um amontoado de conhecimentos. Cada parte distinta da cultura se interliga às demais de forma que resulta num funcionamento sistemático da sociedade – a sociedade organizada. Ex: castas na Índia.

  • O poder salvador do Evangelho manifesta-se pelas boas obras e não pelos costumes, especialmente numa experiência transcultural. Acima de tudo, está o amor, que deverá ser expresso de maneira prática e convincente, o único meio de atrair homens para Cristo.
O Problema do Relativismo Cultural

Alguns antropólogos estão dizendo que há relativismo cultural. “Se os esquimós matam os velhos que não podem mais trabalhar, por que não fazer o mesmo também?” “Se pode haver liberdade sexual em algumas tribos da África, por que não podemos tê-la também?” “Tudo é relativo”.

A Bíblia tem muito a dizer sobre isso. Deus conhece os diferentes valores de cada cultura. Paulo também sabia que os valores de cada cultura eram diferentes e que alguns costumes eram relativos e outros não (I Co 10:23;I Co 11:15; Gl 5:19-21 – Paulo combate o pecado e não os costumes). Ele exigiu que Timóteo se circuncidasse (At. 16:3) e deixou Tito sem circuncisão (Gl 2:3). O apóstolo, durante sua vida missionária, travou contatos com diversas culturas de seu tempo. Visitou inúmeras cidades, conheceu diversos povos, percorrendo 19,6 mil km durante vinte anos findando sua missão e história neste mundo, na primavera de 68.d.C. como mártir em Roma.

Respaldo bíblico para fazermos missões

  1. A autoridade e veracidade das Escrituras (II Timóteo 3: 16).
  2. O amor de Deus para com o homem: (João 3: 16).
  3. A condição pecaminosa do ser humano: (Romanos 1:18-20).
  4. Apenas Jesus pode levar o homem a Deus: (João 14: 6; Atos 4: 12).

Jesus é o referencial para fazermos missões

  1. Ele veio para salvar o mundo: (Mateus 1:21).
  2. Ele estabeleceu na igreja uma visão ampla do reino: (Mateus 8: 11).
  3. Ele doou a sua vida para realizar a obra missionária na terra: (Marcos 10: 45).
  4. Ele renunciou grandes privilégios para fazer missões na terra: (Filipenses 2: 5 - 11).
  5. Ele alcançou até os samaritanos, fazendo – os heróis, samaritano (Lc 10; 29-37). 
  6. Ele curou dez leprosos, o único que voltou para agradecer era samaritano (Lc 17:11-19).
  7. Ele causou um escândalo cultural e religioso no tratamento para com o centurião romano. (Lc 7:9).

A primeira igreja e o seu compromisso com missões

  1. O surgimento da igreja em Jerusalém foi debaixo de uma visão missionária: (Atos 2: 40 - 43).
  2. A igreja é perseguida para assumir a visão e receber uma consciência missionária: (Atos 8: 1)
  3. O Evangelho chega a Samaria: (Atos 8: 4 -5).
  4. A expansão do evangelho para outras partes do mundo: (Atos 11: 19 - 21).
  5. A prioridade ministerial da Igreja - alcançar o não alcançado: (Romanos 15: 20 - 23).

PANORAMA MUNDIAL – A TRANSCULTURAÇÃO

  1. O terceiro milênio começa com 6 bilhões de habitantes e com 1.739 grupos étnicos no planeta. 
  2. Os últimos dados estatísticos nos mostram que cerca de 33% dos moradores da terra ainda nunca ouviram falar de Jesus. 
  3. O quadro é mais ou menos assim: 2 bilhões de pessoas seguem o Cristianismo, incluindo os cristãos nominais; 2 bilhões já ouviram falar de Jesus pelo menos uma vez e 2 bilhões nunca ouviram falar de Jesus. 

O objetivo de se fazer missões não é padronizar as culturas existentes no mundo, porém, sua mensagem é universal, ou seja, o Cristianismo é transcultural.

ALGUNS DADOS SOBRE MISSÕES

1. Iniciamos o século XXI com 2.500 missionários transculturais brasileiros, de todas as denominações, que estão repartidos em mais de 70 países de todos os continentes, sendo 13% deles na Janela 10/40;
2. Dos 138.492 missionários protestantes estrangeiros, 76.120 atuam em seus próprios países;
3. Dos 24 mil povos no mundo, 8 mil ainda não foram alcançados com o Evangelho;
4. Dos 251 povos indígenas brasileiros, 118 ainda não têm missionários;
5. Das 7.158 línguas do mundo, a Bíblia ainda não foi traduzida para 4 mil delas;
6. Ainda existem países que não possuem nenhum crente nacional conhecido, entre eles estão, Arábia Saudita, Saara Ocidental, Ilhas Maldivas e Catar;
7. Das 600 mil cidades e vilas na Índia, em 500 mil ainda não têm obreiros cristãos;
8. Na China ainda existem 500 milhões de pessoas que nunca ouviram falar de Jesus;
9. Dentre as 250 mil igrejas existentes no Brasil menos de 400 delas possuem um missionário trabalhando com esses povos não alcançados (incluindo nossas tribos indígenas);
10. Acredita-se que morrem 85 mil diariamente no mundo sem nunca terem ouvido falar da salvação em Jesus;
11. Menos de 1% dos recursos da Igreja brasileira são investidos na obra transcultural;
12. A média de investimento do crente brasileiro em missões é de apenas R$ 1,30 por ano;

 (dados do livro Intercessão Mundial) Fonte: Sepal